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A IA não vai matar o engenheiro. Vai matar o codificador.

A distinção que vai separar quem prospera de quem fica pra trás nos próximos 3 anos.

Por Thais Vaz 18 Jun · 2026 3 min de leitura PT · EN
A IA não vai matar o engenheiro. Vai matar o codificador.

Tem um padrão que repito quando alguém pergunta se a IA vai roubar empregos de dev:

O Excel não matou o contador. Matou o preenchedor de planilha.

Em 1985, a preocupação era legítima. Centenas de profissionais passavam horas transferindo números de um lugar pra outro, somando colunas, cruzando tabelas manualmente. O Excel automatizou exatamente isso.

O que aconteceu: a profissão não sumiu. Ela se transformou. Quem sobreviveu foi quem sabia o que fazer com os números depois de calculados. Quem entendia de negócio, de tributo, de risco. O preenchedor de planilha foi embora. O contador ficou.

Estou vendo o mesmo movimento acontecer agora, em velocidade maior.

O split está nos dados

Boris Cherny, criador do Claude Code, disse em janeiro de 2026 que o título “engenheiro de software” vai começar a desaparecer. Não porque não vai ter mais gente construindo software. Porque quem constrói vai se chamar de outra coisa.

O que eu vejo no mercado aponta na mesma direção: as vagas têm puxado pra perfis com arquitetura e visão sistêmica, enquanto implementação pura perde espaço.

O GitHub Copilot já gera cerca de 46% do código escrito por usuários ativos da ferramenta, segundo a própria GitHub. Claude Code e concorrentes estão completando blocos inteiros de código com uma descrição. A produtividade subiu. O número de pessoas necessárias para produzir a mesma quantidade de código diminuiu.

O codificador, que passa 80% do tempo escrevendo código que segue padrão, está sendo substituído. Não por uma IA isolada. Por um engenheiro usando IA.

O anti-pattern que vejo nas empresas

A resposta errada é contratar “prompt engineer jr” pra substituir desenvolvedor jr.

Vi isso em duas empresas BR em 2025. A lógica era: se a IA escreve o código, precisamos de alguém que saiba escrever prompt. Resultado: qualidade de código despencou, bugs de integração explodiram, e o time levou 3x mais tempo pra debugar porque ninguém entendia o que o código estava fazendo.

Trocar codificador por codificador 2.0 não muda nada estrutural. A IA produz código. Mas ela não entende contexto de negócio, não prevê como aquele serviço vai interagir com o sistema de billing do Itaú, não sabe que aquele endpoint vai ser chamado dez mil vezes por segundo num pix de véspera de pagamento.

Isso é trabalho de engenheiro. E nunca foi trabalho de codificador.

O que o mercado vai pagar nos próximos 3 anos

O codificador traduz spec em código. O engenheiro entende o problema antes de traduzir, questiona o spec quando está errado, e arquiteta para o que vem depois.

O codificador executa ticket. O engenheiro vê o sistema inteiro e sabe onde aquele ticket vai criar problema em 6 meses.

O codificador usa IA como autocomplete turbinado. O engenheiro usa IA como codesigner e passa 70% do tempo revisando e validando o que a IA produziu.

A lógica é a mesma de qualquer automação. O trabalho que sobra não é escrever mais código. É garantir que o código que existe faz o que precisa fazer, na escala que precisa, com a segurança que o regulador vai exigir.

Não sei qual vai ser o meu título em 2028. Mas sei que o trabalho vai ser o mesmo que sempre foi: entender o problema, desenhar a solução, garantir que funciona no mundo real.

A IA vai cuidar do código de template. O resto continua sendo trabalho de quem pensa.